Sua função essencial em internações hospitalares
Apresentar o papel crucial dos gases medicinais no ambiente hospitalar, muitas vezes subestimado em comparação com medicamentos e equipamentos convencionais, é o objetivo deste artigo. Eles são pilares fundamentais para o funcionamento de clínicas e hospitais, vitais para o tratamento de pacientes e estritamente regulados pela ANVISA devido à criticidade de seu uso e armazenamento.
Um componente essencial que garante o controle e a distribuição desses gases é a régua de gases, um dispositivo comum em leitos hospitalares, mas cujo funcionamento e importância podem não ser amplamente compreendidos. Este texto detalha sua função e os principais gases medicinais utilizados em hospitais.
Os Principais Gases Medicinais e Suas Aplicações
Diversos gases desempenham funções vitais no cenário da saúde, cada um com aplicações específicas.
Oxigênio (O2)
Provavelmente o mais reconhecido, o oxigênio é indispensável em várias áreas hospitalares. Sua aplicação abrange:
Tratamento de doenças respiratórias: Essencial para pacientes com dificuldades na respiração.
Controle de ataques cardíacos: Ajuda a suprir a demanda de oxigênio do corpo em situações de emergência.
Terapias para aumento da saturação: Utilizado para elevar os níveis de oxigênio no sangue.
Inodoro e insípido, o oxigênio é fornecido em cilindros ou tanques criogênicos, sendo vaporizado para inalação. A pandemia de COVID-19 evidenciou drasticamente sua importância, com hospitais enfrentando desafios para garantir o fornecimento adequado diante da alta demanda.
Óxido Nítrico (NO)
O óxido nítrico é naturalmente presente no corpo humano, sintetizado pelo endotélio vascular para regular a pressão arterial. Na medicina, sua versão inalatória (em concentrações de até 80 ppm) é valiosa, pois:
Promove vasodilatação pulmonar seletiva, evitando a hipotensão sistêmica indesejada de outros vasodilatadores.
Redireciona o fluxo sanguíneo para áreas ventiladas dos pulmões, otimizando a relação ventilação/perfusão.
Melhora a oxigenação e o shunt pulmonar.
Sua ação é rapidamente reversível ao descontinuar o uso.
É particularmente eficaz em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, onde a hipertensão pulmonar pode causar falência do coração direito. O óxido nítrico demonstra reduzir a pós-carga do ventrículo direito, aumentando seu trabalho sistólico.
Dióxido de Carbono (CO2)
O dióxido de carbono medicinal é um gás liquefeito, incolor, inodoro e não inflamável. Fisiológico, é liberado na expiração humana. Suas principais aplicações incluem:
Videolaparoscopia: Durante esse tipo de cirurgia, o abdômen do paciente é insuflado com CO₂ para criar um espaço de trabalho e melhorar a visibilidade para o cirurgião.
Medicina Estética: tanto em procedimentos de laser quanto na carboxiterapia.
Diversos gases desempenham funções vitais no cenário da saúde, cada um com aplicações específicas.
Óxido Nitroso (N2O)
Conhecido popularmente como "gás do riso", o óxido nitroso possui forte poder oxidante, exigindo manuseio cuidadoso devido ao risco de combustão. Em centros cirúrgicos e clínicas, é amplamente empregado como analgésico e anestésico em diversos procedimentos.
Ar Comprimido (AC)
Com composição similar ao ar atmosférico (79% nitrogênio e 21% oxigênio), o ar comprimido é essencial em ambientes hospitalares que demandam uma atmosfera pura, livre de poeira e microrganismos. É frequentemente utilizado na recuperação de doenças pulmonares graves, fornecendo um ambiente limpo e controlado para o paciente.
É importante notar que o universo dos gases medicinais é vasto, com outras aplicações em especialidades como dermatologia e criopreservação, variando conforme a área de atuação do profissional de saúde.
A Régua de Gases: Um Componente Indispensável
A régua de gases, frequentemente localizada acima dos leitos hospitalares, é um elemento obrigatório em qualquer ambiente de saúde. Sua presença e design podem variar, mas sua função central permanece a mesma: garantir o fornecimento adequado de gases e outros recursos essenciais.
Embora o esquema de cores e a disposição chamem a atenção, a régua de gases pode ser personalizada conforme as necessidades do setor hospitalar.
Por exemplo:
Centros cirúrgicos: Requerem a linha de Óxido Nitroso, essencial para anestesia.
Enfermarias: Priorizam linhas para ar comprimido, oxigênio e sistema de vácuo clínico.
UTIs: Necessitam de mais linhas, permitindo a conexão de ventiladores mecânicos, umidificadores e aspiradores, cruciais para o tratamento intensivo.
Independentemente da customização, todas as réguas de gases compartilham um aspecto fundamental: estão interligadas à luminária e possuem tomadas para equipamentos elétricos. Em enfermarias, muitas vezes incluem um sistema de chamada para os profissionais de saúde, algo desnecessário em centros cirúrgicos.
Portanto, as réguas de gases são tão críticas quanto os próprios gases, assegurando um fornecimento contínuo e seguro aos pacientes.
O Sistema de Vácuo Clínico
Um ponto vital é o sistema de vácuo clínico, cujos equipamentos e instalações seguem rigorosas normas técnicas para garantir eficácia e segurança. Seu funcionamento baseia-se na criação de uma pressão negativa na rede, possibilitando:
Procedimentos de aspiração: Essencial para remover secreções de pacientes.
Coleta de secreções: As secreções são direcionadas para frascos coletores.
Dispositivos como reguladores a vácuo, como o ALIZE™, podem ser empregados para maior segurança e controle durante esses procedimentos.
O Fornecimento de Gases Medicinais
A qualidade e a pureza dos gases medicinais são inegociáveis, exigindo um fornecedor com expertise e rigor. Empresas especializadas, como a Air Liquide Brasil, são responsáveis por fornecer esses gases para hospitais, garantindo que sejam produzidos, armazenados e distribuídos em conformidade com todas as normas regulatórias e as Boas Práticas de Fabricação da ANVISA.
A escolha de um fornecedor experiente é crucial para assegurar a excelência que pacientes e profissionais de saúde merecem.